Ele sorriu animado e virou-se para apontar para a parte de trás da igreja.
— Ela está ali — disse em voz alta. — A esposa do papai.
A sala pareceu se deslocar ao meu redor. Cabeças virando. Corpos se mexendo. Um choque de sussurros se espalhando como uma onda.
Eu me levantei e, lá, em um dos últimos bancos, estava uma mulher na casa dos trinta anos que eu nunca tinha visto antes. Nossos olhares se encontraram e ela saiu correndo em direção às portas.
Eu não pensei. Segurei a barra do vestido e corri pelo corredor.
Ouvi alguém atrás de mim ofegar.
Outro alguém disse: — Meu Deus.
A mulher alcançou as portas, mas eu segurei seu pulso antes que pudesse empurrá-las.
— Espera.
Ela parou. De perto, parecia não dormir há dias.
— Quem é você? — perguntei.
A pergunta saiu mais dura do que eu queria. Talvez até mais agressiva, mas meu coração batia tão forte que ecoava nos meus ouvidos, e atrás de nós a igreja já parecia um enxame em pânico.
Ela olhou por cima do meu ombro, em direção ao altar. Em direção a Andrew.
— Você deveria perguntar a ele — disse baixinho.
— Eu estou perguntando a você.
Sua garganta se moveu. Ela assentiu uma vez, como se finalmente tivesse aceitado algo.
— Meu nome é Elena.
— Você é a esposa dele?
Os olhos dela encontraram os meus.
— Não legalmente… mas sim.
Os sussurros atrás de mim aumentaram rapidamente.
— Não.
— Ela disse sim?
— O que está acontecendo?
Eu me virei e vi Andrew ainda parado no altar, pálido como papel, sua mãe já de pé na primeira fila com uma expressão de quem tinha acabado de sentir cheiro de fumaça em um jantar elegante.
— Andrew — chamei. — Venha aqui. Agora.
Ele desceu o corredor lentamente, todos os olhos da igreja fixos nele. Parecia um garoto pego roubando.
— Não é o que parece — disse ele.
Alguém atrás de nós murmurou: — Nunca é.
Eu dei um passo para o lado, deixando Elena e eu lado a lado, ambas encarando-o.
— Então me diga o que é — eu disse.
Andrew passou a mão pelos cabelos.
— Isso é complicado.
Elena soltou uma risada curta, incrédula. — Não, não é.
Andrew lançou a ela um olhar de aviso. — Por favor.
Ela o ignorou. — Você ficou comigo numa praia, há seis anos, sob uma lua cheia, e prometeu a sua vida a mim.
Um silêncio pesado caiu sobre a igreja outra vez.
Elena ergueu a mão esquerda. Havia um anel de Claddagh nela.
— Você colocou isso no meu dedo. Disse que eu era o seu futuro. Diga que não aconteceu.
Andrew não respondeu.
Eu o encarei e senti uma calma estranha tomar conta de mim — mais fria do que raiva.
— Por quê?
Ele se recusou a me olhar.
— Eu vou dizer o porquê — disse Elena.
Andrew ergueu o olhar então, os olhos cheios de medo.
O lábio de Elena tremeu. — Você vem de uma boa família… e eu não.
— Elena… — Andrew engasgou.
Mas ela não parou. — Desde o começo, ele dizia que daríamos um jeito, que oficializaríamos tudo, mas quando o Liam nasceu, eu percebi que o Andrew nunca conseguiria me amar dentro do mundo dele.
Eu achei que fosse desmaiar. — Liam… você é a mãe dele?
Lágrimas encheram os olhos dela. Ela assentiu. — Os pais do Andrew aceitavam ele, o novo herdeiro da empresa da família, mas não aceitavam a mim. Tentamos casar em segredo, mas a mãe dele nos impediu.
De repente, tudo ficou claro. A vida de Andrew com Elena tinha sido escondida, rejeitada. Algo ao mesmo tempo doce, sincero e vergonhoso.
Mas a vida comigo era pública. Apropriada. Estrategicamente correta.
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